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"Brasil precisa reagir às arbitrariedades praticadas contra o seu próprio povo", diz agente de segurança da JFMT

Um suposto corte de 25% nos salários dos servidores públicos, buscado pelo Governo Bolsonaro através da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP),  que está coletando assinaturas para a formalização de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nesse sentido, está causando incontáveis protestos em meio aos servidores do Judiciário Federal em Mato Grosso. Entre os que alçaram a voz contra o projeto está o agente de segurança Humberto Negretti, para quem a Categoria já sofreu muito com a reforma da Previdência, congelamento salarial e aumento da alíquota dos recolhimentos da Previdência.

Ele explica que, a reforma da Previdência, recentemente aprovada no País, aumentou a idade e o tempo de contribuição dos servidores públicos para a aposentadoria. "Também foi aumentada a nossa alíquota de recolhimento da Previdência. Isso só vem a reiterar o que temos visto acontecer no Brasil. Toda vez que o Estado precisa de algo a primeira ideia deles é ir pra cima da sociedade, e neste cenário o servidor público sempre foi bode expiatório do Estado. A sociedade precisa reagir contra essas arbitrariedades, pois são coisas absurdas que o Estado pratica contra seu povo".

Para Negretti, a proposta de redução salarial dos servidores públicos representa mais uma punição que o Estado vem aplicando ao povo brasileiro, e se a crise financeira existe a culpa não é dos servidores, mas, em boa parte,  dos políticos envolvidos na corrupção que até hoje ainda impera no Brasil, em plena pandemia. "Não podemos esquecer que a sangria do dinheiro brasileiro passa pela corrupção, que é impune. Então, por que o Governo brasileiro e as instituições responsáveis em fiscalizar, punir e investigar não agem? Um exemplo disso é que houve a prescrição de processos contra Romero Jucá (MDB-RR), José Sarney (MDB), Nilson Leitão (PSDB-MT), José Serra (PSDB-SP), Fernando Collor (PROS-AL), Jáder Barbalho (MDB-PA), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Aécio Neves (PSDB-MG) e Eliseu Padilha (MDB-RS), dentre outros".

Rombos e carga tributária

De acordo com o servidor, há muitos aspectos para ser analisados. "Por exemplo, governos passados causaram um rombo de R$ 21 bilhões, do dinheiro público, dinheiro do cidadão que recolhe os seus impostos, e cabe lembrar que temos uma das maiores cargas tributárias do mundo. Só que esse dinheiro que está sendo arrecadado do povo brasileiro foi perdido em corrupção, em financiamento de ditaduras como as de Angola, Cuba, Zimbábue, Venezuela, Congo, Guiné Equatorial e Gabão, dentre outros. Ou seja, o povo brasileiro só recebe punição do estado brasileiro. Arrecadam o dinheiro e distribuem em benefício de cargos ou países, enquanto a gente só paga essa conta. Essa redução do salário do servidor é mais uma conta extremamente desumana".

Nesse quadro, segundo ele,  acaba sobrando para o povo apenas sacrifício, como aumento de carga tributária, redução salarial e também a vergonha que a nossa população passa tendo um estado brasileiro tão nocivo contra o seu próprio povo. "Portanto, existem mecanismos para que essa redução salarial não seja necessária. É só cobrar as dívidas que o Estado tem com países, com político, contra corrupção e as grandes fortunas, que são regalias que se tem nesse País, cujas contas são pagas pelo povo. Numa entrevista de um senador, se não me engano o Jorge Kajuru (PSB-GO), ele mencionou um estudo  segundo o qual, se reduzir 50% do salário dos políticos, em apenas 2 anos a economia chegaria em R$ 1 trilhão.  Ou seja, é muito fácil penalizarem os cidadãos toda vez que estiverem com problema financeiro. Aumentam a carga tributária, vão em cima do servidor, aumenta pedágio, enfim. Eu não sei até quando a sociedade brasileira vai tolerar um Estado".

Outra coisa que precisa ser ressaltada,  segundo ele, é que a produtividade do Judiciário Federal é altíssima. "Ou seja, com relação ao merecimento do servidor por estar aonde está, é mais do que plausível e mais do que provado, pois veja bem que, em termos de remuneração, ficamos 10 anos sem reajuste, e a reposição salarial que conseguimos em 2016, que foi em parcelas, não foi suficiente para cobrir as perdas do período após a aprovação do reajuste", concluiu.

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