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Nossas Lutas

"Jamais devemos dar nenhuma luta por perdida. Temos sempre que fazer a nossa parte até o final"

A declaração é da diretora licenciada do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário Federal do Estado de Mato Grosso (Sindijufe-MT) Juscileide Rondon, que integra a delegação do Sindicato no Ocupa Brasília desses 2 dias com os diretores  Luis Borges e Walderson de Oliveira. Segundo ela, sempre é tempo para se buscar a conquista da recomposição salarial.

"Temos que fazer essa exigência para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, mas sem nos esquecer que tem um governo no Planalto Central que também tem interesse que a gente faça o desgaste do judiciário federal, que é o poder em que trabalhamos. Temos que fazer uma correta análise de conjuntura no sentido de exigir essa recomposição do judiciário federal para que ela sirva de modelo e de diretriz para servidores federais do executivo e do legislativo também consigam a sua recomposição".

Na avaliação da Servidora, é preciso construir a greve para conquistar a recomposição salarial. Mas ela ressalta que as direções dos sindicatos têm a responsabilidade de fazer esse trabalho de mobilização. "Sem essa greve, de fato a recomposição não sairá. Tem a responsabilidade dos sindicatos de base da Fenajufe e também tem a responsabilidade de quem está na direção da Federação de dar o rumo para esse momento histórico que a gente vive.porque é um governo que vem solapando os nossos direitos, subtraindo tudo que a gente conquistou e, muito pior que isso, subtraindo inclusive o nosso salário".

Jusci declara que gostaria muito de ver aqueles setores mais combativos da nossa Categoria puxando um movimento de greve neste momento. Isso é fundamental para arrancarmos pelo menos a sobra do que já temos levantado pelas nossas assessorias, do orçamento do judiciário federal".

Desafio

Como atrair os jovens para a luta de classe? De acordo com Jusci, "um problema que ainda não sabemos como resolver é o grande contingente da Categoria no trabalho remoto. Portanto, que não estão no trabalho presencial. Essa dificuldade a gente precisa enfrentar, e como vamos conseguir isso? Penso que temos que usar outras táticas para poder fazer chegar nessas pessoas a preocupação com esse momento, e não demos desconsiderar que toda essa nova reestruturação produtiva chega de uma outra forma para os trabalhadores com trabalho formal. Quando eles olham para fora e veem a situação, ainda se sentem gratos por ter aquele trabalho com vínculo formalizado".

Como estimular a Categoria se em Mato Grosso, por exemplo, tivemos duas paralisações com participação mínima? Conforme Jusci, a culpa não é da direção do Sindicato, que fez mobilização, levou a informação, chamou assembleia, mas a Categoria, na sua maioria, não atendeu o chamado. "Tem algumas questõe que a gente precisa avaliar nesse processo. Primeiro, uma parte da nossa Categoria, formada por mais jovens, não tem um histórico de construção de direitos, não viveu as mazelas que nós, com mais idade, vivemos na construção de direitos, dos planos de carreira, as inúmeras greves que fizemos para nos defender de ataques aos nossos direitos.

Portanto, segundo Jusci, é necessário fazer um processo de informação mais aprofundado, inclusive da história da Categoria, e da importância que tem a gente se posicionar como trabalhador numa conjuntura dessas, na defesa dos nossos direitos. "Mesmo sabendo que a imensa massa de brasileiros não tem sequer trabalho formal, uma vez que é grande o percentual de desempregados que está em trabalho informal, é muito importante resgatar essa questão para a nossa classe".

Mas, segundo Jusci, nos segmentos mais jovens, também tem Servidores que acreditam que vão enriquecer com o trabalho que fazem. "A desilusão uma hora vai chegar, e talvez seja tarde para repensar o seu lugar dentro do processo produtivo, e efetivar lutas que garantam o que nós garantimos anteriormente. A minha preocupação é com essa juventude que está trabalhando hoje e não tem consciência do seu papel histórico, mas também com quem vai chegar depois deles, que vai pegar um trabalho desarticulado, sem vínculos formais mais profundos, que respeitem a estabilidade e as recomposições, que conseguimos mesmo com lutas junto ao Congresso Nacional, fazendo pressão. Mesmo essas, a vigorar esse modo de pensar e de se colocar diante do processo histórico, vão enfraquecer as nossas lutas. Então, é urgente que os mais jovens tomem consciência disso e do papel que eles têm nesse processo", concluiu.

Luiz Perlato - SINDIJUFE/MT

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