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Rodrigo Carvalho, Diretor Jurídico do SINDIJUFE-MT e um dos 17 Coordenadores da Fenajufe, foi um dos coordenadores da mesa durante a Plenária

Nas palavras da Presidente do SINDIJUFE-MT, Jamila Abrão, Rodrigo Carvalho conduziu muito bem os trabalhos como presidente de mesa. "Ele figurou pela primeira vez como Presidente de mesa, em uma das Plenárias mais animadas que já participei, haja vista a manifestação das mulheres que, diante de uma proposta de supressão de item de resolução da luta das mulheres, fizeram um registro da força e união que deve servir de exemplo em toda luta sindical. Parabéns Rodrigo pela excelente condução dos trabalhos. Pedro e Rodrigo são exemplos para todos nós!", declarou.

 

No último dia da Plenária Nacional da Fenajufe em Salvador, delegados e delegadas continuaram as discussões sobre o plano de lutas e campanha salarial.

Retrospectiva do evento

Na manhã de sexta-feira foi discutido e aprovado o Regimento Interno, e a primeira mesa da XXII Plenária Nacional, já na tarde de sexta-feira, começou com pedido de organização e integração de luta da categoria.

Na tarde da sexta-feira (3), a XXII Plenária Nacional da Fenajufe reuniu representantes de diversos sindicatos do PJU e MPU do País para amplo debate sobre a conjuntura internacional e nacional e os ataques aos servidores e serviços públicos.

A primeira mesa de debate do dia contou com a presença dos dirigentes sindicais Marcos Santos, Marcelo Ortiz e Mara Weber e foi composta também pelos palestrantes Rafael Freire, José Loguércio e Plinio Sampaio.

Durante as apresentações, todas as falas se concentravam em um mesmo viés de que a situação pela qual os trabalhadores brasileiros passam - principalmente o do serviço público - é a pior de todos os tempos.

O primeiro a falar foi Rafael Freire, Secretário de Política Econômica e Desenvolvimento Sustentável da Confederação Sindical de Trabalhadores das Américas - CSA, que fez uma breve análise sobre a atuação sindical no contexto histórico nacional e internacional e citou a semelhança dos ataques sofridos pelos trabalhadores do Poder Judiciário da Argentina, tema que foi abordado por Pedro Quilpatay, representante da Federação dos servidores do Poder Judiciário na Argentina (FJA), na abertura da XXII Plenária.

O secretário enfatizou ainda a importância de juntar uma frente continental para resistir aos ataques e pensar em ações articuladas com diversos movimentos sociais. “Alianças importantes podem levar a uma vitória nossa frente a essa etapa que estamos vivendo hoje. A ideia é de resistir, é de avançar. A luta da Fenajufe faz parte dessa resistência nacional. Vamos sim, resistir. Sim vencer!”, finalizou Rafael.

Em seguida, o professor Livre Docente pelo Instituto de Economia da UNICAMP Plinio Sampaio, agradeceu o convite e também destacou a relevância da plenária para discutir sobre os graves ataques e pensar em alternativas de luta e força real. O professor  citou a necessidade de discutir a essência da crise econômica e a integração de luta dos servidores da América Latina.

Segundo Plinio, a greve dos caminhoneiros representou um momento ímpar, de grande transformação e afirmou a intervenção popular ser a melhor saída para enfrentar as atuais retiradas dos direitos dos trabalhadores e da sociedade brasileira. “Precisamos de mudanças profundas para enfrentar os problemas históricos do País e do Capital. Necessitamos de mudanças profundas e revolucionárias na sociedade”, afirmou ele.

Finalizando as falas, o doutor em Ciência Política José Loguércio, alertou sobre uma nova crise prevista muito maior do que a de 2008 e reafirmou que os trabalhadores do PJU e MPU precisam traçar estratégias fortes de luta política e teórica além de tentar unidade de organização nas diversas esferas da sociedade.

Desta primeira mesa da XXII Plenária ficou uma certeza: a classe trabalhadora terá que se organizar ainda mais para barrar os ataques deste governo ilegítimo. É preciso, mais do que nunca, construir uma grande luta para superar os desafios impostos. Desafios estes que serão discutidos na plenária até domingo (5), no auditório do Bahia Othon Palace Hotel, em Salvador.

Ao final, a dirigente Mara Weber destacou um momento importante na história da Plenária Nacional da Fenajufe que foi a inauguração das falas paritárias.

Austeridade fiscal e assédio em discussão

As discussões ocorridas na tarde de sexta, 3, da XXII Plenária Nacional da Fenajufe foram relacionadas a um tema bastante delicado para o servidor, que foi a Saúde do trabalhador/ Assédio Moral e a Precarização, Terceirização e Desmonte do PJU e MPU. O médico Roberto Heloali e a professora Marilane Teixeira abordaram as ameaças de extinção do serviço público e o crescente número de suicídios registrados entre servidores públicos. A direção dos trabalhos ficou sob a responsabilidade dos coordenadores Marcelo Ortiz e Marcos Santos e da coordenadora Mara Weber.

Os painéis foram pensados para trazer aos plenaristas a reflexão sobre como a nova organização do trabalho impacta diretamente as relações de trabalho e reflete na vida pessoal do trabalhador. A austeridade que permeia o discurso da “ administração eficiente” é o argumento amenizado da maximização de lucros. Aplicada ao serviço público, os resultados são catastróficos para a integridade física, social, laboral e emocional do trabalhador.

Na avaliação de Marilane Teixeira, o ajuste fiscal implementado pelo governo colocará o país entre os cinco menores países do mundo em investimentos sociais. E o pior: o ajuste ameaça frontalmente o serviço público brasileiro, cobiçado pela iniciativa privada, ávida em privatizá-lo. Os dados apresentados pela palestrante estão condensados no livro  “Economia Para Poucos: impactos sociais da austeridade e alternativas para o Brasil” organizado por Pedro Rossi, Esther Dweck e Ana Luiza Matos de Oliveira, no qual ela é uma das autoras.

Na abordagem de Roberto Heloani trouxe ao debate o suicídio como expressão da deterioração da condição existencial do indivíduo. Autor de um detalhado estudo sobre suicídio no serviço público, o médico alerta para a letalidade do assédio moral. Segundo ele, todo suicídio é uma mensagem do individuo sobre o que se passa em sua vida. Mortes no ambiente de trabalho refletem a deterioração das condições laborais e a frequente exposição ao assédio. São reflexos diretos da nova organização do trabalho, que transforma chefes e subordinados, em meros cumpridores de metas.    

As palestras da professora Marilane Teixeira e do professor Roberto Heloani serão disponibilizadas posteriormente, editadas.  Assista a apresentação dos palestrantes durante a XXII Plenária Nacional da Fenajufe, no canal da Fenajufe no Youtube (aqui).

A mesa de carreira inaugurou uma nova fase na Fenajufe na luta pela igualdade de gêneros. Pela primeira vez, o sorteio das falas foi feito de forma paritária: dez plenaristas sorteados, sendo cinco homens e cinco mulheres. Mara Weber, propositora do modelo, comemorou o feito histórico.

Debate de carreira

O terceiro dia de debates da XXII Plenária Nacional da Fenajufe começou com a mesa 3, discutindo Carreira do PJU e MPU. Na tarde de sábado, os proponentes iniciam as apresentações das propostas de resolução para serem votadas pelos delegados na XXII Plenária Nacional da Fenajufe.

Foi aprovado texto da análise da Conjuntura Internacional. Nele, as entidades sindicais são conclamadas a fortalecer a resistência ao imperialismo decadente e preparar a contraofensiva.

Leia a seguir:

A ordem imperialista arrasta a humanidade à barbárie 

Jamais, para os trabalhadores dos países dos 5 continentes, as questões políticas mais vitais colocaram-se simultaneamente em termos tão próximos. Sob formas certamente diferentes em todos os continentes, mas próximas no seu conteúdo. Elas se colocam de forma aguda para os mais vulneráveis, a começar pela juventude e as mulheres. 

A política guerra se estende sobre todos os continentes, se não sob a forma de destruição física, pela guerra ’social’ movida contra os direitos dos trabalhadores em cada país. Os orçamentos de armamento explodem, enquanto a produção estagna, o comércio mundial regride e a miséria cresce em todos os continentes, jogando, com a guerra e suas devastações, milhões de refugiados e migrantes do Oriente Médio, África e também da Ásia e Europa do Leste, nas rotas de êxodo. Na história da civilização, nunca foi tão alto o número de pessoas forçadas a deixar suas casas por causa de guerra, da violência ou da perseguição. Segundo a ONU, são mais de 65 milhões. 

Trata-se do preço da agonia do regime baseado na propriedade privada dos meios de produção que joga o peso de sua sobrevivência sobre os ombros dos trabalhadores e ameaça o futuro da humanidade. 

O cenário é de uma instabilidade generalizada. Mesmo no coração da maior potência imperialista a crise se aprofunda. Trump promete o que não pode cumprir. Durante a sua campanha, fez discursos contra a Apple, para que esta relocalize as suas fábricas nos EUA (a Apple emprega setenta e seis mil assalariados nesse país e cerca de dois milhões no resto do mundo). O mesmo fez contra outras multinacionais americanas. 

Mas todos os economistas concordam em dizer que se trata de uma medida ilusória. Do ponto de vista do próprio capitalismo, o isolacionismo e o protecionismo são uma impossibilidade utópica, dado o imbricado de toda a economia mundial e do mercado mundial. As deslocalizações para a China, para o resto da Ásia ou para o México – para baixar o custo do trabalho – não podem ser proibidas por Estados imperialistas submetidos às exigências deste mesmo capital financeiro. Em trinta anos, o capital financeiro norte-americano suprimiu também mais de 30% dos empregos industriais nos EUA, atirando para o desemprego, para a precariedade e a pobreza milhões de operários americanos. 

Se na forma sobrepõe-se a “loucura”, o conteúdo é o da instabilidade que repousa na incapacidade dos EUA assegurarem o controle da ordem mundial. É inegável que Trump procura reforçar o poderio dos EUA e assegurar a sua proeminência à escala mundial. Mas, ao tentar fazê-lo segundo esta via, ele só exacerba as contradições já existentes em todo o mundo.

A ameaça de Trump com uma intervenção militar na Venezuela – que provocou reações contrárias até mesmo entre seus aliados com medo de um levante do povo – demonstra que não há nenhum limite para garantia dos interesses norte-americanos. Essa ameaça deve ser repudiada por todos que defendem a democracia e a autodeterminação dos povos. 

No México, o significado da recente eleição de Lopez Obrador se encontra no repúdio do povo a uma situação de extrema violência que vive o país, uma verdadeira guerra que golpeia a juventude e as zonas mais pobres do campo e das cidades. Nos últimos 12 anos foram 240 mil assassinados por quadrilhas e entre as quadrilhas de narcotraficantes. O triunfo de Obrador deve ser saudado, ele tem consequências no continente e talvez no mundo, vai precipitar a luta pelas reivindicações e o enfrentamento popular com a oligarquia e com as medidas do governo Trump. 

As organizações sindicais estão chamadas a se apoiar na resistência que existe em toda a parte para fazer recuar a ofensiva destruidora do imperialismo e preparar a contraofensiva.

Mulheres em resistência

No último dia da Plenária Nacional da Fenajufe em Salvador, delegados e delegadas continaram as discussões sobre o plano de lutas e campanha salarial.

Um dos destaques do último dia da Plenária foi a resistência das mulheres, que levou à retirada do destaque e à manutenção do texto original. Delegadas e observadoras entraram em resistência a um destaque de um delegado que pediu a retirada, das discussões, de pautas que não sejam específicas, como a defesa das políticas de igualdade de gênero, defesa das mulheres, LGBTQIs, negros e outras defesas de caráter social. A mobilização das mulheres recebeu apoio de delegados e observadores. O risco de lutas isoladas foi tema abordado pelos palestrantes que, em diversos momentos, alertaram que posturas como esta comprometem os resultados buscados.

Para Jamila Abrão, as mulheres estiveram de parabéns. "Parabéns às mulheres que não se curvam aos ataques sofridos! Somos discriminadas e não há como ignorar a série de ataques, abusos, assédio moral  e sexual em todos os segmentos. Não podemos nos calar em hipótese alguma, pois só assim seremos protagonistas de um mundo melhor. O Judiciário Federal precisa de uma atuação eficaz de combate às práticas abusivas  contra as mulheres e para isso nossa força e união é imprescindível. Vamos criar o Coletivo Nacional das Mulheres na FENAJUFE e continuar assim a construção de um mundo melhor e sensível à nossa luta! AVANTE MULHERES!"

As militantes questionam ainda a ausência de políticas de gênero nas entidades sindicais.

Na condução dos trabalhos o coordenador Cristiano Moreira lembrou que a cada duas horas uma mulher é assassinada no país e a questão piora se for negra.

A resistência das Mulheres levou à retirada do destaque e à manutenção do texto original:

“Pelo fortalecimento de campanhas e projetos  de enfrentamento à violência contra a mulher! Pela garantia da proteção à criança;  ao adolescente e contra a redução da maioridade penal, pela criação do coletivo nacional de mulheres da Fenajufe!”.



 Fotos: Valcir Rosa

Edição: Luiz Perlato (com informações da Fenajufe)

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