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Homenagem aos 302 anos de Cuiabá

Cuiabá 302 anos

Cuiabá, completa dia 8 de abril 302 anos,  situado à margem esquerda do rio do mesmo nome e forma uma conurbação com o município vizinho, Várzea Grande. A nossa querida Cuiabá, é conhecida como “cidade verde”, em função da exacerbada arborização, hoje, porém não apresenta mais aquela exuberante vegetação, a qual, valeu o apelido de “cidade verde”.

Tenho orgulho de ser cuiabano; nascido e criado no bairro do Porto, mais precisamente na Av. Mario Corrêa 77, local no qual, passei a minha infância querida, brincando pela rua, jogando  bola, andando livremente de bicicleta, jogando  ioiô, carrinho de rolimã, bolinha de gude, jogando finca finca, peloteando com estilingue, entre tantas outras brincadeiras de criança da época.

Atingimos a tão sonhada maioridade, momento das descobertas, iniciamos às idas aos bailes, que na época era tudo de bom.

Perto da minha casa, existia um clube chamado, Grêmio Beneficente Recreativo Antônio João, nessa época eu ainda não tinha idade suficiente para frequentá-lo, fui muitas vezes no Clube Náutico, e concomitantemente ao Clube Dom Bosco, que era um dos mais frequentados na época.

Agora, falar em   Clubes, Boates, sem nos reportarmos ao Sayonara considerada a maior boate do Centro-Oeste, tendo como carro chefe a presença de pessoas ilustres, celebridades e até presidentes da República, seria no mínimo uma temeridade.

Infelizmente, não cheguei a frequentar  essa Casa de Shows, denominada Sayonara, esse nome ao contrário do que se pode imaginar, não foi inspirado no sentido oriental da palavra, que significa “até logo”, mas na reunião de sílabas dos nomes dos irmãos Sami, Ramis, do pai Yosef, e o dele próprio.

Criada no final dos anos 50, e que surgiu de forma peculiar, a fundação da casa aconteceu, a partir da ideia do proprietário do espaço, o senhor Nazi Bucair, um descendente de turco erradicado em Cuiabá, o mesmo, querendo agradar seus amigos dessa época.

Ele, se rende aos pedidos dos amigos que queriam um espaço para ir frequentar também à noite, então ele teve a ideia de deixar as chaves do cassarão que lá existia, e criou num primeiro momento o “Clube das Chaves”.

O objetivo dos seus amigos era o de levar mulheres para curtição em um espaço gostoso e aprazível; uma vez que, a chácara tinha acesso ao Rio Coxipó do Ouro, que funcionaria como um clube discreto para os amigos mais chegados dele.
Com o passar dos anos, a proposta inicial do senhor Nazi Bucair, em atender apenas e tão somente aos amigos, ganhou força com a chegada de outras pessoas que também queriam aderir a essa ideia mirabolante para época, um local discreto e acolhedor.

Então, tem início a criação efetiva da Casa de Shows, Sayonara inaugurada oficialmente em 1959,  passando a receber cantores famosíssimos como: Roberto Carlos, Maysa Matarazzo, Alcione, Fafá de Belém, Elis Regina, Beth Carvalho, Elis Regina, entre tantos outros, em média, mil artistas se apresentaram nesse requintado ambiente.

Além de uma plêiade de atrizes e atores renomados, instrumentistas de todos os estilos, militantes, escritores e até presidente da República, era uma Casa bem frequentada, cartão de visitas da nossa querida Cuiabá.

A história do Sayonara, se confunde com uma série de pessoas anônimas que ajudaram no processo de efetivação da mesma, entre as quais, um tem papel fundamental nesse contexto, o músico, pesquisador e professor Neurozito Figueiredo Barbosa, o qual, tenho orgulho em ter sido seu aluno na Universidade Federal de Mato Grosso.

Amigo pessoal do Nazi, o mesmo ajudou a construir um pouco dessa Casa de Shows, como musicista e assíduo frequentado da mesma. Ele, é autor do livro intitulado “Sayonara: Brilhos e Escuridão – A história da maior boate do Centro-Oeste Brasileiro”, um livro que retrata de forma esmiuçada todo processo de criação dessa renomada Casa de Shows.

Falar dos 302 anos da nossa querida Cuiabá, sem discorrermos sobre a criação do Sayonara; seria o mesmo, que tirar um pouquinho da nossa história, pois essa Casa de Shows, tem um significado especial, tanto para os mais velhos, como para parte da geração posterior a sua fundação.

Portanto, homenageá-la de forma singela, nos causa profundo contentamento e satisfação, ao resgatarmos parte da nossa história; pois um povo sem memória é um povo sem história.
Parabéns Cuiabá, pelos 302 anos de existência.

 

Professor Licio Antonio Malheiros é geógrafo

 

(O vídeo é da Prefeitura de Cuiabá)

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